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Dossiê da Inclusão

Page history last edited by MARIA LUCIA DE MELO MACHADO 3 years ago

Eu trabalhei com uma classe especial -alfabetização, há muito tempo atrás na escola do município. Eram alunos que, numa classe regular não acompanhavam, ou melhor “atrapalhavam” os ditos normais. Na época eu estava grávida da minha filha. Nesta classe tinha alunos de idades distintas, alturas variadas e da mesma forma, diagnósticos diferentes. Não recebi nada a mais por trabalhar numa classe especial. Mesmo não precisava, porque o resultado do meu trabalho não teve preço. Entre meninas e meninos, tínhamos crianças calmas e agressivas. Lembro-me que a SMED mandava material exclusivo para a turma e a diretora boicotava. Que Deus a tenha.

Dentro do ensino-aprendizagem os alunos se desenvolveram bem. Durante no mês de outubro teve uma gincana para os alunos e os meus alunos foram bem, ganharam medalhas de 2º lugar. Apesar do medo que eles tinham e da timidez consegui fazê-los sentirem-se fortes e aptos. E todas as atividades que eles não se saíram bem, eu as retomei nas aulas para que conseguissem lograr êxito.

É bom lembrar essa época, tenho saudades.

Teve um dia que o José era mais alto que eu, mas muito bonito resolveu que iria atirar uma classe no colega e eu fiquei na frente do menino argumentando para que o José não fizesse isso. Dava um medo. Mas, ao mesmo tempo em que eu falava com o menino, eu rezava. A mãe dele também tinha problemas mentais, quando era chamada queria bater na diretora, na professora. Mas isso ela nunca fez comigo, pois eu a tratava com carinho e elogiava as atitudes e aprendizagens positivas do José.

Havia outro menino, que tinha uma válvula na cabeça, não recordo o nome dele, mas consigo lembrar o seu rosto. Tinha pouco cabelo, uns fios. A tia que trazia ele. Ela contou-me que ele tinha poucos dias, meses ou anos de vida. Ele tinha um rosto bochechudo também era bonito. Tinha dificuldade motora fina e ampla, mas era muito interessado. Soube que já é falecido.

Outra experiência foi com o filho de um casal de primos. Eles tiveram um menino, que na hora do parto o cordão umbilical sufocou o bebê ao se enrolar no pescoço dele. Esse fato comprometeu todo o funcionamento nervoso. Não anda, não come sozinho, não faz suas necessidades sozinho, alguns sons ele consegue emitir como “aga” para água por exemplo. É muito inteligente. Esse menino eu trabalhei com ele alfabetização com muito material audiovisual na casa dele.

 

 

 

 

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A escola na qual pesquisei os dados é a E.M.E.F. Professora Noemy Fay dos Santos, situada no Bairro Paraíso, no município de Parobé/RS.

         A escola atende o Ensino Fundamental desde o 1º ano (de 9anos) até a 8ª série, com uma clientela de 472 anos, nos turnos manhã, tarde e noite (EJA). Conta com 35 professores.

Os alunos NEEs matriculados e freqüentes na nossa escola somam trinta educandos, que se encontram distribuídos em todas as séries.

Esses alunos têm atendimento no Núcleo Técnico Psicopedagógico, situado na própria escola. Aqueles alunos que necessitam de atendimento com outros especialistas como fonoaudiólogo, psicólogo, psiquiatra, fisioterapeuta, neurologista ou oftalmologista são encaminhados para o Centro Clínico Flávia Maria Brito conforme as vagas disponíveis.

No caso que este centro clínico não possa atender toda demanda, a escola deverá conseguir vagas em outras instituições, também gratuitamente.

Participando e vivenciando no dia-a-dia da escola o atendimento das crianças e jovens com NEEs, penso que estamos avançando consideravelmente nesta questão. Observando o atendimento oferecido e o que está descrito na Lei, não só os NEEs com algum transtorno que devem ser atendidos, mas também aqueles que apresentam altas habilidades/superdotados. Assim, penso que os alunos que se enquadram nesta classificação não contemplam um atendimento adequado ainda.

Parabenizo a SEESP pelas ações desenvolvidas através de apoio técnico e financeiro aos sistemas públicos de ensino para que garantam a oferta e o atendimento educacional especializado e complementar à escolarização.

Igualmente, na instância municipal, vislumbrando uma educação de qualidade e universal, vejo na SMED, a preocupação com esse atendimento. Proporcionando uma formação continuada aos professores objetiva que os mesmos sintam confiança e competência na realização de uma prática que seja norteada pela visão de cidadania, primando pela participação de todos os alunos, com visitas à autonomia e a independência dentro e fora da escola.

 

 

 

 

 

 

 

 

No município

 

O atendimento, depois que criaram os Núcleos Tecnico Psicopedagógico, ficou mais a contento, principalmente para as famílias que são atendidas na sua localidade. São seis núcleos distribuídos pelo município que atendem as escolas por zoneamento, mais o Centro Clínico Flavia Maria Brito e o NAMP. Antes muitos casos eram atendidos em Taquara. Hoje já comporta os casos no próprio município.  Em torno de 150 alunos diagnosticados e outros em observação e investigação. Já estamos avançando.

 

 

 

Estudo de Caso

Vou usar um nome fictício para a criança.

 

Antes de engravidar, sua mãe e seu pai usavam drogas. Quando seu avô descobriu essa situação, expulsou-a de casa já grávida.

Rodrigo comentara que nunca soube como a mãe passou a gravidez.

Porém, a mesma parou de consumir drogas após dar a luz ao menino. Sabendo que não tinha condições de criar o filho récem-nascido, pediu que o avô cuidasse do seu filho para ela.

O avô de Rodrigo ficou com ele durante cinco anos, até que separou-se de sua esposa.

Essa separação fez com que o pequeno garoto voltasse para os braços da mãe, que agora, vivia com um novo companheiro.

Mas tinha um pequeno problema. O padrasto não gostava muito do menino tratava-o com violência. E como ele era curioso, mexia onde não devia, apanhava constantemente. Lembrara que apanhara muito nas mãos.

Essa situação durou três longos anos.

sabendo disso, mais uma vez o avô interferiu, o que ocasionou uma briga feia entre o avô e o padrasto.

Rodrigo acabou indo para a casa de uma tia por parte da mãe onde lembra, com carinho, que foi bem tratado, ficando lá durante três semanas, o tempo que a tia encontravasse em férias.

Daí o menino foi para a casa de uma prima, que da mesma forma o acolheu. Lá ficou por três ou quatro dias.

Até que a mãe acompanhada de um conselheiro tutelar, buscou Rodrigo levando-o para uma espécie de casa de amparo.

Para Rodrigo foi o pior momento de sua vida.

Ao chegar no orfanato o menino entreteu-se com um aquário e quando se deu por conta, a mãe havia o deixado lá.

Então, chegou o desespero e o pranto. O cansaço acabou vencendo-o e adormeceu.

Ao acordar se deu conta novamente de onde estava e chorou muito.

Aprendeu a rotina da casa e acostumou-se ao novo lar. Assim, passou um mês sem visitas.

Seu avô ia visitá-lo aos finais de semana como lhe fora determinado. Assim, Rodrigo permaneceu um ano no orfanato.

Seu avô já havia encontrado uma companheira. Precisava, ainda falar-lhe do desejo de acolher Rodrigo. E assim aconteceu.

Lá no orfanato o menino fez muitos amigos, entre professores e colegas, mas também alguns desafetos.

As primeiras três semanas na casa de seu avôforam de adaptação com a nova família. Porém, essa harmonia foi quebrada, uma vez que a esposa do avô tinha filhos do primeiro casamento e se encontrava grávida. Houveram ciúmes e intrigas... Rodrigo por sua vez respondia a altura gerando conflitos. Assim foi cogitada a possibilidade do menino retornar para o orfanato, entretanto, o amor falou mais alto e a crença de que tudo poderia melhorar. Então, o menino ficou.

Matricularam-no numa escola onde precisou adaptar-se.  Passou o ano e o mesmo não conseguiu aprovação. Hoje cursa a 6ª série e tem 14 anos, apresenta dificuldade motores finas, sua letra é inelegível, falta-lhe concentração. De vez em quando envolve-se em confusão, mas apesar de tudo tem uma memória visual e auditiva prodigiosa. Uma curiosidade espantosa pelas coisas. Quandolhe dão atençãose apega com facilidade.

tem consciência de suas limitações.

O pai biológico que ele não conhecia apareceu. Deu-lhe uma bicicleta aos 11 anos e quis-lhe a guarda, mas o avô não permitiu. Depois o pai fora preso. Depois que começamos a estudar o caso dele, entender as suas limitações, (descobrimos que ele tem dislexia) está se saindo melhor nos estudos. Melhorou seu relhacionamento com as pessoas de casa e da escola. Quando ele contou-me sua história,comentou que tinha vegonha de sua história de vida, disse para ele então, que ele era um vitorioso pois chegara até aqui.

 

 

 

 

Comments (4)

Maria del Carmen Cabrera Martins said

at 8:42 pm on Apr 7, 2009

Ola, Maria, é bom saber que ja tens experiencia com PNEEs,acredito que no decorrer da disciplina vamos ter ricas trocas. Não podes colocar o nome do aluno, só as iniciais.
Abraços
Maria del Carmen

Maria del Carmen Cabrera Martins said

at 11:25 pm on May 3, 2009

Maria, faltou fazer a atividade 3, que pede detalhamento dos serviços especiais do teu municipio
Abraços
Maria del Carmen

Maria del Carmen Cabrera Martins said

at 12:13 am on May 31, 2009

Maria, deves de completar a atividade 3, como foi pedido no comentario anterior. O teu relato é muito comovente.... com emoção.. história triste deste menino. Mas vemos que com amor vamos longe. Como perceberam que tem dislexia?, que estrategias usam para ajuda-lo?.
Abraços
Maria del Carmen

liliana said

at 10:49 pm on Jun 24, 2009

Oi Maria

como esta indo teu estudo de caso? tens mais informações para complementar as ultimas unidades?
aguardamos
lili

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